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Mostrando postagens de setembro, 2020

Serviçais da repressão.

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  O bolsonarismo criou metodologia própria para a qualificação dos serviçais dedicados à agência da repressão do seu governo. Ataca a autonomia e a democracia interna das universidades ao nomear reitoras e reitores não eleitas e eleitos pela maioria das comunidades acadêmicas; ao mesmo tempo em que expõe a subserviência de intelectuais a serviço do seu padrão repressivo. As interventoras e interventores empossados nas instituições federais de ensino brasileiras já ultrapassam mais de uma dúzia de corpos atuantes nos jogos de poder que ultrapassam os cercadinhos do Planalto, e se inscrevem no coração das universidades e institutos federais. Elas e eles estão ali disponíveis para garantir ao atual governo o que parece lhe faltar: qualidade intelectual onde impera a grosseria gratuita e a negação da ciência. As performances que identificam as novas interventoras e interventores começam expor alguns dos seus traços mais expressivos. Ao aceitarem o lugar em que são colocadas e colocados

Novas invisibilidades, velhas desigualdades

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  A retomada das atividades letivas por meio remoto na nossa universidade produziu novas formas de invisibilidade nas relações de ensino-aprendizagem. Além da elevação expressiva do número das ausências nos ambientes virtuais de aprendizagem, as presenças se tornaram mais instáveis (conforme as condições de conectividade) e mais silenciosas no transcurso dos encontros on line . As novas formas de invisibilidade produzidas pela mudança radical da modalidade de ensino no contexto da pandemia resultam da persistência de velhas formas de desigualdade social nas condições de acesso e permanência na universidade. A passagem do modelo presencial para o modelo virtual expõe de maneira constrangedora o fosso das desigualdades no acesso a bens e serviços tecnológicos. Falta pouco para a conclusão das nossas atividades com as turmas de graduação e pós graduação. Em todos os níveis de ensino recebemos, aqui e ali, mensagens de estudantes com relatos de dificuldades para o acompanhamento das at

Hoje os hospitais, amanhã as escolas.

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  As instituições que cuidam da saúde coletiva desempenham no atual contexto da pandemia um papel inspirador para os desafios a serem enfrentados pelas as instituições que cuidam da educação pública no contexto pós pandemia. Ficar em casa para cuidar de si e dos outros é um ato de cidadania que se qualifica e nos qualifica para lidarmos com o presente, graças aos imensos avanços do conhecimento científico no âmbito da saúde coletiva. Voltar às ruas e praticar a vida pública, após a garantia do tratamento eficaz contra a Covid-19, exigirá a qualificação de nossas atitudes cidadãs na e com as escolas, sobretudo se considerarmos a educação como atitude sensível-inteligível que opera e amplia os sentidos sociais dos nossos pertencimentos. Sair do isolamento exigirá reaprendizagens no trato social com a vida cidadã que só nas escolas podemos aprender. Os parágrafos que iniciam este breve ensaio foram produzidos no exercício de resposta a questão lançada por uma professora de escola públ